quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Comunidade ortodoxa siríaca em São Luis - MA

Com aprovação conjunta de sua eminência Mor Leolino Gomes, arcebispo de Brasília, de sua eminência Mor Tito Paulo Hanna, núncio apostólico para o Brasil e de sua graça Mor José Faustino, deu-se o primeiro passo oficial na criação da primeira comunidade da Igreja Sirian Ortodoxa em São Luis, capital do estado do Maranhão.


O anúncio foi feito pelo próprio Mor José Faustino, durante a XVIII Assembléia Ortodoxa Nacional, que ocorreu em Brasília durante o mês de julho e que reuniu o clero de todo país. No Maranhão, desde 2002, já existe uma pequena comunidade no município da Raposa, a 30 km de São Luis e, desde 2011, uma outra comunidade no município de Tutóia, no interior do estado. A proposta de criar uma missão dentro do município de São Luis partiu de um pequeno grupo de fiéis que há quase quatro anos reúnem-se para estudar e rezar, buscando viver o Evangelho de Cristo segundo a doutrina e a espiritualidade oriental da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, uma das mais antigas Igrejas de toda cristandade, fundada pelos apóstolos com comprovação bíblica. Segundo a coordenação da comunidade "nós ficamos felizes com a atitude de nossos bispos, que nos acolheram e reconheceram a sinceridade de nosso pedido". O objetivo da comunidade, que recebeu o nome de "Comunidade Santo Efrém", é de ser uma semente que possa germinar e, no futuro, abrigar a primeira Igreja Sirian Ortodoxa de São Luis.

Bispos siro ortodoxos do Brasil durante assembléia em Brasília
O projeto da comunidade visa ainda, mesmo que a longo prazo, resgatar a religiosidade dos descentes de sirio-libaneses no Maranhão, pois como afirma a coordenação "São Luis possui hoje um grande número de descendentes de sirio-libaneses que sequer têm noção da fé vivida por seus antepassados quando ainda viviam no oriente". Diferentemente de outros estados que receberam um grande número de imigrantes vindos da Síria e do Líbano, por exemplo, o Maranhão não manteve de forma marcante os aspectos culturais e religiosos dos imigrantes, tendo conservado muito pouco de sua identidade e, ainda assim, de forma muito particular. Estados como São Paulo possuem comunidades organizadas, com paróquias da Igreja Ortodoxa muito bem frequentadas tanto por descendentes de imigrantes como por brasileiros de outras origens, mas que também identificaram-se com a fé ortodoxa e sua espiritualidade profunda.

Capela ortodoxa siríaca em São Luis - MA

A orientação espiritual da comunidade em São Luis ficou a cargo do reverendo monsenhor Francisco do Vale, pároco do Santuário Mãe de Deus, na cidade de Teresina, no Piauí. Segundo a coordenação, além das atividades que já aconteciam, como as celebrações dos ofícios divinos durante a semana e os encontros de formação catequética, a comunidade passará a contar periodicamente com a visita de seu orientador espiritual, que além de dar início à formação do futuro clero local, celebrará a Divina Liturgia (Santa Missa) segundo o rito da Igreja Sirian Ortodoxa para os fiéis da comunidade, bem como para aqueles que desejarem conhecer mais de perto a espiritualidade oriental.

Para saber mais, acesse o blog da comunidade: www.comunidadesantoefrem.blogspot.com

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Falece Patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope

Morreu na manhã de hoje, aos 76 anos, após alguns dias internado em um hospital, Sua Santidade Abune Paulos, Patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope.


Abune Paulos viveu durante vários anos em exílio nos Estados Unidos, pois só pode voltar ao país após a queda do regime de Derg, a junta militar que comendou a Etiópia entre 1974 e 1991. Foi então eleito patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope, uma Igreja filha da Igreja Ortodoxa Copta, em plena comunhão com as demais Igrejas Orientais pré-calcedonianas, como a Igreja Sirian Ortodoxa e a Igreja Apostólica Armênia. Estima-se que na Etiópia existam hoje pelo menos 40 milhões de cristãos ortodoxos.

Segundo Gebre-Silasie "Sua morte é uma grande perda não só para os etíopes, mas também para os cristãos de todo o mundo", afirmando ainda que "Abune Paulos contribuiu muito com a cooperação entre religiões na Etiópia e no mundo". Abune Paulos era também um dos presidentes do Conselho Mundial de Igrejas, a maior organização ecumênica do mundo.

Com o cardeal Kurt Koch, presidente da Pontifício Conselho para Unidade dos Cristãos
da Igreja Católica Romana e os demais representantes das Igrejas Ortodoxas Orientais
Em encontro com Shenouda III, patriarca da Igreja Ortodoxa Copta
e Aram I, Cathólicos da Igreja Apostólica Armênia

Em 2008, Sua Santidade Abune Paulos visitou a sede do patriarcado da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, o Mosteiro de Santo Efrém, o sírio, em Damasco. A visita muito alegrou nosso santo patriarca, Sua Santidade Mor Ignatius Zakka I Iwas, que considerou a visita do patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope como um grande sinal de comunhão de nossas Igrejas.

Encontro com nosso patriarca em Damasco

Abune Paulos, que o Senhor da vida o guarde e lhe conceda o devido lugar dedicado aos fiéis servos de Deus.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mar, Mor ou Dom?

Essa é uma questão comum dentro de nossa Igreja, ou seja, qual o pronome de tratamento ideal a ser usado quando nos dirigimos a um bispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. Primeiramente, que fique claro: os três pronomes possuem o mesmo significado. A diferença ocorre, na verdade, no idioma de origem do qual a palavra é retirada. 

Enquanto o pronome “Dom” é derivado do latim, que significa “senhor”, o pronome “Mor” deriva do siríaco, tendo o mesmo significado em português. Mas e o “Mar”? O pronome de tratamento “Mor” e “Mar” são correspondentes também, sendo que “Mar” é uma variação na língua árabe, o que acaba por mudar sua pronúncia. 

E qual seria o mais correto? Ora, se nossa língua litúrgica é o siríaco (que é um dialeto derivado do aramaico) o mais correto é, obviamente, o pronome “Mor”, por exemplo: Mor Faustino, Mor Leolino ou Mor Tito. Contudo, não é necessariamente errado chamar de “dom”, afinal, somos brasileiros e nossa língua é o português, que é um idioma derivado do latim. Assim, não cometemos um “erro” ao chamar nossos bispos de “dom”, haja visto que ambos possuem o mesmo significado. 

Vale lembrar, entretanto, que na Bula Patriarcal n° 300, o próprio patriarca afirma que: “Neste encontro tratamos a expansão da Igreja Missionária no Brasil, desde o ano de sua fundação 1983 até o presente momento, seu zelo pelas tradições da nossa Igreja Sirian Ortodoxa, sua fidelidade canônica a nossa Cátedra Petrina e seu amor a nossa língua oficial da igreja o Aramaico.” Ou seja, é o próprio patriarca que incentiva que nós, brasileiros, conservemos as características litúrgicas e culturais de nossa Igreja, dentre as quais a língua litúrgica, como sinal de nossa identidade como Igreja e fidelidade às nossas tradições. 

Da mesma forma que seria no mínimo estranho um bispo latino, de qualquer país que ele fosse (ou mesmo que fosse de origem árabe), querer ser chamado de “Mor Fulano”, por que deveríamos usar um termo latino para nos dirigirmos aos nossos bispos, só pelo fato de sermos brasileiros?

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Nosso Santo Patriarca em recuperação

Fotos de Sua Santidade Mor Inácio Zaqueu I, patriarca de Antioquia e Todo Oriente durante sua recuperação em um hospital na Alemanha. Rezemos pela saúde de nosso santo padre.



segunda-feira, 30 de julho de 2012

Assembléia Geral Ortodoxa Nacional 2012

O clero de nossa Igreja reuniu-se na última semana em Brasília para definir as diretrizes da evangelização no Brasil para os próximos anos. Além do clero dos diversos estados, nossa assembléia foi coroada com a presença de nossos três bispos: Sua eminência Mor Tito Paulo Hanna, núncio apostólico para o Brasil, sua eminência Mor Basílio Leolino Gomes, Metropolita de Brasília e sua graça Mor Efrém Faustino Filho, bispo de goiás. Para conferir as fotos do evento, basta clicar no link abaixo:

terça-feira, 24 de julho de 2012

Mar Gregório Bar’Ebroyo, a luz do oriente

Ele não é canonizado, portanto não é considerado um santo, mas sua obra o fez ser considerado um dos mais proeminentes doutores da Igreja Ortodoxa Siríaca, a ponto de ter o dia 30 de julho em honra a seu nome. 


Nascido em Melitene, em 1226, Bar’Ebroyo (Bar Hebraeus) ou Mar Gregório Bar’Ebroyo, sagrado bispo em 1246, é uma verdadeira celebridade intelectual de nossa Igreja. Sua obra estende-se aos mais diversos assuntos, como teologia, história, medicina, matemática, gramática, filosofia, direito, ética e monaquismo, todas em siríaco ou em árabe. 


Foi sagrado em 1266 Maphryono do Oriente, título que hoje corresponde ao de Cathólicos do Oriente, ou seja, o primaz da Igreja Ortodoxa Siríaca da índia. Viveu, enquanto Maphryono, no mosteiro de Mar Mattay, perto de Mosul, no Iraque. 

Fonte: Tarzi, J., Fr., Madhyono, vol. 1, no. 9-11.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Orações por São Gabriel

O mais antigo mosteiro em atividade do mundo, pertencente à Igreja Ortodoxa Siríaca, corre o risco de ser fechado. Há 700 anos, mesmo com o massacre de 40 monges e 400 cristãos, os mongóis não conseguiram derrubá-lo, porém agora, por conta do apelo do Superior Tribunal da Turquia, o Mosteiro de São Gabriel fundado em 397 d.C, poderá ser fechado por conta dos conflitos na região.


Atualmente, o mosteiro abriga apenas três monges, onze monjas e trinta e cinco crianças em formação (aprendendo aramaico e as tradições de nossa Igreja), além de ser a residência de sua eminência Mar Timóteo Samuel Aktash. Contudo, recebe por ano cerca de 20.000 peregrinos que vêm conhecer esse tesouro da Igreja Ortodoxa Siríaca e de toda cristandade.

Mar Tmóteo Aktash
  

Os conflitos entre os grupos separatistas e o exército turco, assim como as tribos mulçumanas do local, acabaram por resultar em graves calúnias contra a comunidade ortodoxa siríaca, que é acusada de ser uma intrusa naquela região e de ocupar terras que não lhes pertencem. Chegam ao ponto de dizerem que o mosteiro foi construído sobre uma mesquita, o que não faz sentido algum, já que Maomé só nasceu 170 anos após sua fundação.


O mosteiro de São Gabriel precisa agora recorrer ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos para manter-se vivo, assim como fez o patriarca ecumênico de Constantinopla, para recuperar a posse do prédio do orfanato ortodoxo de Buyukada em Istambul.


Rezemos pela sobrevivência do Mosteiro de São Gabriel!

Sua Santidade passa por cirurgia

Durante o mês de junho, mais precisamente no dia 26/06, Sua Santidade Mar Ignatius Zakka I Iwas, patriarca de Antioquia e Todo Oriente, submeteu-se a uma cirurgia na cidade alemã de Hanover. Segundo os médicos, a cirurgia foi muito bem sucedida. 

Sua Santidade deixou o hospital no dia 18 de julho, após quase um mês de repouso, segundo informou seu secretário pessoal, Mar Matthias Falexinos. 

Várias autoridades civis e eclesiásticas fizeram questão de demonstrar seu carinho e desejo de melhoras ao nosso patriarca, como Sua Beatitude Ignatus IV Hazim, patriarca de Antioquia da Igreja Ortodoxa Grega (em comunhão com Constantinopla), assim como Mar Ignatius Joseph III Younan, patriarca da Igreja sirio-católica (em comunhão com Roma).

Nosso patriarca com Mar Ignatius IV Hazim
Patriarca de Antioquia para os grego-ortodoxos

Nosso patriarca com o Mar Ignatius Joseph III
patriarca da Igreja Sirio-Católica (em comunhão com Roma)

Rezemos sempre pela saúde de nosso santo patriarca, para que ele permaneça firme no exercício do ministério petrino na sé de Antioquia, sendo nosso pastor e modelo de ortodoxia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Santo Inácio de Antioquia sobre o respeito aos bispos

Mar Efrém José Faustino Filho
“Atendei ao Bispo, para que Deus vos atenda. Ofereço minha vida para os que se submetem ao Bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Possa eu, com eles, ter parte em Deus. Trabalhai uns com os outros e, unidos, combatei, lutai, sofrei, dormi, despertai, como administradores, assessores e servidores de Deus. Procurai agradar Àquele sob cujas ordens militares e do qual recebeis vosso soldo. Não se encontre entre vós nenhum desertor. Que o vosso Batismo seja como escudo, a fé como elmo, o amor como lança, a perseverança como armadura. Atendei ao Bispo, como Jesus Cristo segue o Pai, e aos presbíteros como aos apóstolos; respeitai os diáconos como à lei de Deus. Sem o Bispo ninguém faça nada do que diz respeito à Igreja. Onde aparece o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo onde está Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica. É bom reconhecer a Deus e ao Bispo. Quem respeita o Bispo é respeitado por Deus; quem faz algo às ocultas do Bispo, serve ao diabo.”

(Santo Inácio de Antioquia aos Esmirniotas p. 118 e a Policarpo p. 123 – Padres Apostólicos – Paulus – São Paulo – 2002)

sábado, 14 de julho de 2012

Foto do Dia

Mar Tito Paulo

São Jacob Baradaeus, metropolita de Edessa (port.: São Tiago de Edessa)

Autor: Prof. Pablo Neves
Especialista em História da Arte Sacra
Professor do Mosteiro de São Bento de São Luis

Famoso por sua piedade e devoção, Jacob Baradaeus (ou Jacob al-Baradai - Jacob = Tiago em português) atingiu o cume do ascetismo religioso e austero e foi um dos Padres mais importantes de toda história da Igreja Ortodoxa Siríaca, bem como para as outras igrejas chamadas de “pré-calcedonianas”. Em português, é mais conhecido por São Tiago de Edessa.

Ícone de São Jacó Baradaeus 











Durante o Concílio de Calcedônia em 451 d.C, os bispos das Igrejas Copta, Armênia e Siríaca rejeitaram as resoluções conciliares por entenderem que tratavam-se de desvios doutrinais, quando comparadas àquilo que receberam dos Apóstolos e dos Santos Padres, enquanto as igrejas latinas e gregas aceitaram o concílio, firmando assim, o primeiro cisma da Igreja. Assim, essas igrejas começaram a ser duramente perseguidas, tendo seus bispos assassinados ou exilados pelo Império Bizantino, a ponto de praticamente não existirem mais bispos na Igreja Ortodoxa Siríaca, o que ameaçava sua própria existência, haja visto que sem bispos não podem existir padres. 

Neste período de tantas turbulências, Deus enviou para Igreja um homem cheio de fé e coragem, o monge Jacob (Tiago) Baradaeus (Ya `QUB Burd` ono), que dedicou sua vida a defender a Santa Igreja daqueles que queriam sua extinção. Seu sobrenome “baradaeus” é uma referência às vestes que usava, feitas retalhos de sela remendados e velhos cobertores, que o ajudaram a viajar sem ser identificado e assassinado.

Filho de um sacerdote chamado Teófilo, nasceu no ano de 505 em Tal Mawzalt (atualmente na Turquia) e ainda jovem tornou-se monge no Mosteiro de Fsilta, numa localidade próxima a sua terra natal. Dominava a língua grega e o siríaco, além de ser um profundo estudioso dos livros religiosos e da ciência teológica. Tornou-se então um grande teólogo e pregador, realizando grandes milagres em Nome de Cristo e encorajando seus seguidores a permanecerem fiéis à ortodoxia, mesmo diante de tantas perseguições daquele tempo. Em 528 viajou para Constantinopla, sendo recebido com muita honra pela imperatriz Teodora, filha de um sacerdote sírio e esposa do imperador Justiniano, que dava proteção ao clero (sírio e copta) perseguido e martirizado daquele período.

Foi então ordenado bispo “universal”, com o título de metropolita de Edessa e com autoridade ecumênica, pelo então Patriarca de Alexandria Mar Teodósio, que estava exilado em Constantinopla, juntamente com outros três bispos que estavam presos. Assim, poderiam ordenar padres e bispos em todas as igrejas (coptas, armênias, sírias, etíopes etc) que rejeitaram o concílio, evitando assim o seu desaparecimento.

Mor Jacob Baradaeus, o “bispo universal”, partiu então em sua missão pela Síria, Egito, Armênia, Capadócia, Cilícia, Isauria, Panfília, Licaônia, Lycia, Frígia, Cana, Ásia Menor e pelas ilhas de Chipre, Rodes, Quios e Mitilene, assim como pela Mesopotâmia e Pérsia. Autorizado pelo patriarca, ele sagrou vinte e sete bispos e ordenou alguns milhares de diáconos e sacerdotes, mantendo-se firme em sua missão por trinta e cinco anos, incansavelmente “lutando o bom combate” pela Igreja, a qual apoiou até sua morte, em 30 de julho de 578. Assim, salvou as igrejas que rejeitaram o Concílio de Calcedônia do desaparecimento, que puderam então reestruturar suas hierarquias bem como suas comunidades.

São Tiago Baradaeus, metropolita de Edessa, é comemorado pela Igreja Ortodoxa Siríaca nos dias 29 de julho e 28 de novembro. Por seus feitos, frequentemente as demais igrejas (latina e grega) referem-se à Igreja Ortodoxa Siríaca como “igreja jacobita”, ou seja, a “igreja de Jacó”, numa alusão a São Jacob Baradaeus e sua missão, dando a entender que foi ele quem de alguma forma “criou” a igreja siríaca. Tal apelido é rejeitado pela Igreja Ortodoxa Siríaca, pois, mesmo reconhecendo os feitos deste grande santo, tem plena consciência doutrinal e histórica de que é ela a genuína Igreja de Antioquia, fundada por São Pedro Apóstolo, e que mesmo sendo perseguida, martirizada e difamada, permanecerá firme e fiel à missão dada por Cristo, de levar o Santo Evangelho à toda criatura, até sua volta triunfante.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Artistas de Deus

E ainda há quem questione a presença da arte na Tradição Ortodoxa Siríaca. As imagens abaixo falam por si:

Artista indiano pintando ícone de São Gregório de Parumala
São Gregório de Parumala
Rogai por nós


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Foto do Dia


“É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita."
"[...]a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber."

Frases de santo Efrém, o sírio, sobre o respeito e a devida honra que deve ser dada ao sacerdote.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Mooroneetho: o báculo episcopal siríaco

por Pablo Neves - especialista em Arte Sacra


Insígnias são sinais, símbolos ou marcas que identificam um cargo, importância ou estado de uma pessoa. Os militares, por exemplo, usam diversas insígnias diferentes para indicares suas patentes, cursos realizados ou nobres feitos. Também os atletas, como reconhecimento de suas vitórias, recebem medalhas (insígnias) por suas conquistas. 

Com o desenvolvimento da simbologia cristã, as diversas tradições enriqueceram-se com diversos símbolos, cujo objetivo é tanto catequético, pois sempre ligará sua forma e uso às doutrinas expostas pelas sagradas escrituras ou pela tradição da Igreja, quanto de distinção hierárquica, ou seja, indicará e diferenciará cada membro da Igreja segundo sua ordem ou função específica.

Mooroneetho (báculo episcopal) de Mar Severios Malke Mourad
Das diversas insígnias características da Igreja Ortodoxa Siríaca, destacamos aqui o báculo episcopal (sir: Mooroneetho), uma insígnia exclusiva do episcopado, utilizado por todos os bispos, metropolitas e, obviamente, pelo patriarca. Simboliza a autoridade do bispo e sua missão de pastor, paralelamente a uma direta referencia às palavras de Cristo em João 3, 14-15: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” 


Mar Severios Malke Mourad, vigário patriarcal na Terra Santa
É composto na parte superior por duas serpentes tendo ao centro uma cruz, semelhante ao modelo usado pelos bispos bizantinos, porém, sendo maior e mais robusto.



terça-feira, 3 de julho de 2012

São Pedro Apóstolo, primeiro patriarca de Antioquia

No último dia 29 de junho toda a cristandade, tanto no ocidente quanto no oriente, comemorou a festa dos santos apóstolos São Pedro e São Paulo. Assim, comemorou-se também o onomástico de nosso santo patriarca, o qual sucede São Pedro na cátedra de Antioquia. Abaixo transcrevemos um breve texto sobre a vida de São Pedro e de sua importância para o cristianismo. Parabéns à Sua Santidade Mar Ignatius Zakka I Iwas, nosso patriarca, bem como a toda Igreja Ortodoxa Siríaca, herdeira das chaves de São Pedro, o príncipe dos apóstolos.


O texto original encontra-se no site da Arquidiocese Ortodoxa Grega, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, e foi acrescido de alguns comentários pertinentes à sucessão petrina em Antioquia, com destaque ao patriarcado da Igreja Ortodoxa Siríaca e sua legítima e ininterrupta sucessão apostólica.


***


O Apóstolo São Pedro era chamado, antes, Simão, o filho de Jonas, pescador de Betsaida na Galiléia, e irmão do Apóstolo Santo André, que foi quem o conduziu a Cristo. São Pedro era casado e tinha sua casa em Cafarnaúm. Chamado por nosso Salvador, Jesus Cristo, enquanto pescava no Lago de Genesaré (mar de Tiberíades), sempre demonstrou uma especial devoção e determinação, pelo que se fez digno de uma especial abordagem do Senhor, como o Apóstolo Tiago (Jacó) e São João, o Teólogo.


Ícone de São Pedro e São Paulo
Espiritualmente forte e fervoroso, ele ocupou, na verdade, um lugar influente entre os apóstolos de Cristo. Foi o primeiro que confessou com determinação ao Senhor Jesus como o Cristo (Messias), e por isso foi digno de ser chamado "Pedra" (Pedro). Sobre esta fé firme como pedra de Pedro o Senhor prometeu edificar a Sua Igreja, contra a qual não prevalecerão as portas do inferno.


O Apóstolo São Pedro lavou com lágrimas amargas de arrependimento a sua tríplice negação a seu Senhor, na véspera de Sua crucifixão. Conseqüentemente, logo após a sua Ressurreição, o Senhor novamente o reabilitou na dignidade de apóstolo, por três vezes, o número de suas negações, e lhe confiou o cuidado de seu rebanho de cordeiros e ovelhas. Segundo a tradição, o apóstolo São Pedro chorava amargamente sempre ao amanhecer, ao ouvir o canto dos galos, lembrando-se de suas covardes negações para com o Cristo.


O apóstolo Pedro foi o primeiro a contribuir para o fortalecimento e a divulgação da Igreja de Cristo após a descida do Espírito Santo, no dia de Pentecostes; ao pregar com determinação e firmeza diante de uma multidão de pessoas, promoveu a conversão de três mil almas para Cristo. Pouco depois curou a um paralítico de nascença; e na sua segunda pregação pública, levou a conversão e à fé em Cristo mais de cinco mil hebreus. A força espiritual que procedia do apóstolo Pedro era tão intensa, que "chegaram ao ponto de transportar doentes para as praças, em esteiras e camas, para que Pedro, ao passar, pelo menos a sua sombra cobrisse alguns deles, e todos eram curados". (At 5,15).
Brasão patriarcal com as chaves confiadas a São Pedro
utilizado pela Igreja Ortodoxa Siríaca em todo o mundo
O livro dos Atos dos Apóstolos, do primeiro ao décimo segundo capítulo, narra a sua atividade apostólica. Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, após o ano 42 d. C., restabeleceu as perseguições contra os cristãos, assassinando o Apóstolo São Tiago (Jacó), filho de Zebedeu e aprisionando o Apóstolo São Pedro. Os cristãos, ao serem informados sobre a sua prisão, oraram fervorosamente pelo Apóstolo Pedro. Durante a noite, um milagre aconteceu: um Anjo do Senhor apareceu na cela de Pedro, e as algemas que o prendiam se partiram caindo ao chão, e ele pode assim deixar a sua cela sem ser notado. Após esta milagrosa libertação o livro dos Atos o recorda mais uma vez ao narrar o Concílio dos Apóstolos. Outros testemunhos sobre ele foram conservados ela tradição da Igreja. Sabe-se que ele difundia o Evangelho às margens do Mar Mediterrâneo, em Antioquia, onde consagrou o bispo Evódio.

Santo Evódio e Santo Inácio de Antioquia
Primeiros sucessores de São Pedro
na Igreja de Antioquia
Assim, São Pedro foi não só o fundador da Igreja de Antioquia, mas também seu primeiro patriarca. Assim, os patriarcas da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia são legítimos sucessores de São Pedro na sé de Antioquia, traçando uma sucessão apostólica ininterrupta até os nossos dias. A cátedra petrina de Antioquia é atualmente ocupada por Sua Santidade Ignatius Zakka I Iwas, 122° Patriarca de Antioquia e Todo Oriente e Supremo Chefe da Igreja Ortodoxa Siríaca.


O Apóstolo Pedro evangelizava na Ásia Menor aos judeus e prosélitos (pagãos convertidos ao judaísmo). Logo depois, no Egito, onde consagrou Marcos como o primeiro bispo da Igreja de Alexandria. Daí, seguiu para evangelizar a Grécia, Corinto, e depois Roma, Espanha, Cartagena e Bretanha. Segundo a tradição, o apóstolo Marcos escreveu seu Evangelho para os cristãos romanos baseado nas palavras do Apóstolo Pedro. Entre os livros do Novo Testamento existem duas Epístolas Católicas (universais) do Apóstolo Pedro. A primeira é dedicada aos estrangeiros da diáspora, no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bithynia, províncias da Ásia Menor. Esta carta tem a finalidade de fortalecer aos seus irmãos ante o surgimentos de conflitos internos nestas comunidades e perseguições por parte dos inimigos da Cruz de Cristo. Entre os cristãos surgiram também inimigos internos, os falsos mestres. Na ausência do Apóstolo Paulo começaram a perverter os seus ensinamentos sobre a liberdade cristã e a defender uma moral sem limites.


Sua Santidade o Patriarca, 122° Sucessor de São Pedro em Antioquia
A segunda Epístola Católica foi escrita para os cristãos da Ásia Menor. Nela o Apóstolo Pedro colocou ênfase especial em advertir aos fiéis sobre os falsos mestres libertinos. Estes falsos ensinamentos coincidem com aqueles que foram refutados pelo apóstolo Paulo em suas cartas a Timóteo e Tito, e também ao Apóstolo São Judas, em sua Epístola Católica. Os falsos ensinamentos dos hereges ameaçavam a moral e a fé cristãs. Naquela época, rapidamente se espalhou a heresia gnóstica que absorveu elementos do judaísmo, do cristianismo e de diversos ensinamentos pagãos. Esta Epístola foi escrita pouco antes do Apóstolo São Pedro ser martirizado: «Eu sei que em breve deverei deixar o meu templo (corpo), como nosso Senhor Jesus Cristo me revelou». No final de sua vida o apóstolo Pedro esteve novamente em Roma, onde foi martirizado no ano 67 d.C., sendo crucificado com a cabeça para baixo.




Texto original com adições em negrito do blog ortodoxia siríaca brasil
Tradução e publicação original no site www.ecclesia.com.br, com permissão de Ortodoxia.org
Trad.: Pe. André - Patriarcado Ecumênico de Constantinopla

terça-feira, 26 de junho de 2012

São Bábilas, Patriarca e Mártir

Ícone de São Bábilas, Patriarca de Antioquia
Foi o duodécimo bispo de Antioquia depois do apóstolo São Pedro; ocupou esta sede como seu bispo do ano 237 até o ano 250. O historiador Eusébio de Cesaréia (340) em seu livro História Eclesiástica nos relata o seguinte conto acerca de São Bábilas:

Quando o imperador romeno Filipe, sendo cristão, queria participar com a multidão na noite da Vigília Pascal das orações da Igreja e da Comunhão do Santo Corpo e Sangue do Senhor, o bispo o impediu por causa de seus muitos crimes e pecados que havia cometido, impondo-lhe a condição de que fizesse uma confissão pública e sincera de seus pecados e que se juntasse aos penitentes. O imperador, então, atendeu à condição que o bispo lhe impunha.

São Bábilas era, portanto, conhecido por sua bravura, a que São João Crisóstomo elogiou, dizendo: «Acaso poderia existir algum homem que São Bábilas pudesse ainda temer, após ter enfrentado o próprio imperador? Com isso o santo deu uma lição aos reis no sentido de que não tentassem estender a sua autoridade para além do que Deus permite, e aos homens da Igreja, por sua vez, deu um exemplo de como usar a autoridade que lhes é concedida. “

Suas relíquias permaneceram em Antioquia até que os cruzados as roubaram, levando para o Ocidente. O mais provável é que estejam atualmente na cidade italiana de Cremona. A Igreja Ortodoxa (grega) celebra a sua memória em 4 de setembro, assim como a Igreja Maronita, enquanto a Igreja latina o comemora no dia 24 de Janeiro.


Tradução e publicação no site www.ecclesia.com.br
com permissão de Ortodoxia.org
Trad.: Pe. André

fonte: http://ecclesia.com.br/synaxarion/?p=2553

sábado, 23 de junho de 2012

Lançado Catecismo em português

Organizado pelo abuna Celso Kallarrari, o Catecismo da Igreja Ortodoxa Siríaca é motivo de grande alegria para a Igreja no Brasil, pois servirá de base doutrinal para o aprofundamento tanto de leigos como de sacerdotes e diáconos, podendo agora contar com um material unificado em língua portuguesa, o que contribuirá certamente para que nossas comunidades permaneçam fiéis à doutrina ortodoxa e possam estar cada vez mais em profunda comunhão espiritual.


Lançado pela Editora Reflexão, possui 118 páginas e, além do conteúdo original, foi acrescido de prefácio e introdução, além de comentários, conclusão e apêndice. Dentre os apêndices, o catecismo apresenta um breve histórico sobre a Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil que, assim como toda publicação, é de profunda importância para formação das comunidades em todo o Brasil.

Parabéns ao abuna Celso pela iniciativa!

Para comprar o Catecismo, basta clicar aqui

sexta-feira, 22 de junho de 2012

sobre o Sinal da Cruz na Tradição Siríaca

Em outro post já tratamos brevemente sobre este assunto, apresentando a forma correta de traçar o sinal da cruz dentro de nossa Tradição. Abaixo, apresentamos um novo texto, ainda mais catequético, sobre o significado e a importância desse tão valioso símbolo.

O Símbolo do Cristianismo 

Sem dúvida, o maior símbolo do cristianismo é o “Sinal da Cruz”. É através dele que os cristãos se identificam com o Salvador, Jesus, Deus e Filho de Deus. Na Igreja Antioquina, durante qualquer ritual, o “sinal da cruz” é utilizado diversas vezes. Tanto serve para o sacerdote transferir a benção de Deus ao fiel como ao fiel pedir a proteção de Deus.



Na nossa Igreja, o Sinal da Cruz deve ser feito dentro de uma ritualística especial com uma simbologia muito profunda. Diferentemente da Igreja Ocidental, nós mantivemos o Sinal dos primórdios do cristianismo, conforme nos foi passado por São Pedro quando fundou a nossa Igreja e depois por São Tomé e São Judas Tadeu quando passaram pelo Norte da Mesopotâmia em suas diversas viagens e pregações apostólicas. 

É nosso dever preservarmos essa ritualística e simbologia e passá-la a nossos filhos, assim como nossos antepassados a preservaram e nola passaram, para tanto, o fiel, assim deve proceder:

- unir os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, ficando o indicador um pouco mais alto que o polegar e este mais alto que o médio. Os outros dois dedos devem ficar fechados na palma da mão (o anular quase encostado na base do polegar e o mínimo totalmente fechado). Essa configuração representa o Pai (o dedo indicador), o Filho (o dedo médio) e o Espírito Santo (o polegar) que une Ambos e de Ambos emana. Além disso, isso simboliza as três pessoas unificadas como um só Deus.


- em seguida, deve fazer o movimento da cruz enquanto pronuncia as palavras sagradas, conforme segue: - levar essa união dos três dedos até o meio da testa e pronunciar a primeira parte: “Em nome do Pai” (em aramaico: bxem abo);

- descer a mão direita ainda com os três dedos unidos até o meio do estomago (limite superior do umbigo) e pronuncia: “e do Filho” (em aramaico: u abro);

- subir a mão direita ainda com a mesma configuração dos três dedos até o limite do ombro esquerdo e pronuncia a terceira parte: “e do Espírito Santo” (em aramaico: u ruHo Qadixo);

- levar a mão direita ainda sem desfazer a configuração dos três dedos até o limite interno do ombro direito e pronuncia a última parte “Um Só Deus Verdadeiro” (em aramaico: Had aloho xariro);

- finalmente, abrir a mão em forma espalmada e levá-la até o meio do peito e pronuncia: “amém” (em aramaico: amin que significa “assim é”). 

Para o fiel, sempre que assim proceder, ou seja, benzer-se com o “Sinal da Cruz” e pronunciar essa declaração de fé na Trindade Divina, fica sob a proteção de Deus Pai, Deus Filho e do Espírito Santo e nenhuma força maligna poderá prejudicá-lo.


Retirado de Jornal SURYOYE - n° 27, março/2007. Disponível em: http://www.igrejasiriansantamaria.org.br

segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

Sobre o diaconato

Diácono Milton Lemos
Santuário Theotokos - PI

[...] O diácono por sua vez portador do turíbulo desempenha importante papel em qualquer celebração ou ministério de sacramento. Podemos citar, por exemplo, o fato de o turíbulo quando trazido ao altar pelo diácono, representar São João Batista o predecessor de Nosso Senhor Jesus Cristo preparando o povo para a vinda do Messias, ou quando desce o diácono com o turíbulo entre o povo representa, o turíbulo, a vinda de Cristo, o Verbo Encarnado, para este mundo e trazendo a toda a humanidade o infinito amor de Deus Pai, oferecendo a Si, Cristo, como sacrifício por todos nós e retornando ao Pai reconciliando o céu e a terra. [...]

Trecho do artigo "Diaconato - 50 anos de Brasil" por Aniss Ibrahim Sowmy, diácono evangelista, por ocasião do Jubileu de ouro das ordenações diaconais no Brasil (2008).

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A questão dos ícones na Tradição da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia

Autor: prof. Pablo Neves
Especialista em Arte Sacra pelo Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
Professor do Mosteiro de São Bento de São Luis
Diretor do Ecclesia Design

Dentre os elementos de maior destaque nas Igrejas ditas apostólicas, destaca-se, cada uma logicamente com suas particularidades, o fazer artístico como expressão genuína de fé. Do oriente ao ocidente, as Igrejas fundadas pelos apóstolos de Cristo desenvolveram uma íntima relação com a arte, chamada então de “sacra” para definir todo o fazer artístico ligado de forma direta ao Sagrado. 

Entre latinos e gregos já é de comum conhecimento suas várias expressões. Estátuas, ícones e toda riqueza de adornos são mundialmente conhecidos e admirados. Contudo, na tradição da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, devido principalmente à deficiente formação do clero, sobretudo na diáspora (fora do território canônico) como é o exemplo do Brasil, nos deparamos frequentemente com graves erros quanto a esse assunto. Neste breve texto, apresento de forma resumida alguns pontos importantes a serem considerados no tocante à arte sacra na Tradição ortodoxa siríaca. 

Altar patriarcal em Damasco
Primeiramente, que fique claro: ícones são sim permitidos numa Igreja Sirian Ortodoxa. Prova disso são as fotos da Igreja de São Pedro e São Paulo, no Mosteiro de Santo Efrém, sede do patriarcado. A presença de ícones nessa Igreja (são pelo menos três), onde o próprio Patriarca celebra, por si só é a prova da legítima presença dos ícones na tradição siríaca. Obviamente, a organização, quantidade e sentido da presença de ícones numa Igreja Ortodoxa Siríaca é diferente da presença desses mesmos ícones numa Igreja Romana ou numa Igreja Ortodoxa Grega. Os gregos possuem, em sua estrutura litúrgico-arquitetônica o que chamam de “iconóstase”, ou seja, uma parede repleta de ícones com significado e organização muito bem definidos, separando o santuário da nave. O iconostásio está presente na própria dinâmica da liturgia grega, sendo indispensável nas celebrações. 

Há quem alegue que os ícones não façam parte de nossa Tradição pelo fato de as Igrejas não-calcedonianas (sírios, coptas, armênios e etíopes) não terem, obviamente, participado do II Concílio de Nicéia (787 d.C), no qual fora definido por latinos e gregos a validade da veneração aos ícones e imagens sagradas. Ora, a “não” participação deste concílio não implica numa discordância teológica de suas resoluções. Os ícones não foram “inventados” durante o II Concílio de Nicéia, apenas se afirmou concretamente a posição da Igreja quanto à sua válida veneração. 

Por questões culturais, latinos e gregos desenvolveram a presença litúrgica dos ícones de forma mais abundante dentro de seus templos. Contudo, não há nada de errado ou de prejudicial à fé ortodoxa siríaca a presença de ícones nos templos ou nas casas dos fiéis. O que é se deve observar é o sentido, a quantidade e se estes ícones estão de acordo com as devoções próprias de nossa Igreja.

ícone sírio de Cristo
Por exemplo, ícones que retratem Cristo com seu coração aparente referem-se à devoção católica romana ao Sagrado Coração de Jesus. Tal devoção não existe em nossa Igreja, portanto, não faz sentido um ícone deste numa Igreja Ortodoxa Siríaca. Aliás, ícones de Nosso Senhor Jesus Cristo, em nossas Igrejas, devem ser somente aqueles que apresentam o Cristo orando no Jardim do Getsêmani ou de Jesus de frente, usando a combinação das cores azul (símbolo da realeza eterna) e o vermelho (simbolizando o sacrifício) na posição de benção com a mão direita, como na imagem ao lado: 

Da mesma forma, é errado o uso da imagem da Mãe de Deus com o coração exposto, haja visto que essa devoção também não existe em nossa Igreja. É também comum ver imagens de santos católicos romanos ou bizantinos em nossas Igrejas, o que, logicamente, não faz sentido algum. Qualquer santo canonizado por gregos ou latinos após a separação de Calcedônia não faz parte de nossa tradição. É importante que os padres e leigos procurem conhecer nossos santos, pessoas que viveram e morreram por nossa Igreja e aos quais devemos memória. Lembrando que, a “não veneração” destes santos (latinos e gregos pós-cisma) não significa falta de respeito com tais devoções ou seu menosprezo.

Igreja de São Pedro e São Paulo, Mosteiro de Santo Efrém em Damasco - Patriarcado
Detalhe aos ícones de Maria e de Cristo
Assim, não existe “iconóstase” numa Igreja Ortodoxa Siríaca, portanto, não deve haver um número abundante de ícones na mesma. Recomenda-se um de Cristo, no centro do santuário, sobre o altar, um de Maria e outro do padroeiro da Igreja, por exemplo (mas não obrigatoriamente) que dá nome àquela Igreja. Pode haver mais? Sim, mas não muitos. Sempre lembrando que sejam de santos de nossa Tradição e com características de nossas devoções. 

E pode não haver ícone algum dentro da Igreja? Sim. Existem templos de nossa Igreja que não possuem ícones, mas isso não se deve a nenhum tipo de rejeição teológica. 

Há também pinturas de anjos, por exemplo, na estrutura do altar e nas paredes. Estes também podem estar presentes, cuidando sempre da quantidade e do conjunto harmônico para não poluir visualmente a Igreja. Veja que tais pinturas não se tratam de ícones em si. Aliás, fotos de ícones impressas e emolduradas não são ícones. Ícones de verdade são feitos por iconógrafos preparados e devidamente autorizados pelo bispo, com sua benção.
Pablo Neves durante pintura dos ícones de Maria, Jesus e Santo Efrém
E as estátuas, pode? Resposta: Não, nunca! Estátuas não fazem parte de nenhuma tradição oriental, nem mesmo entre os gregos. É uma característica latina herdada da arte romana pré-cristã. De forma enfática, numa Igreja Ortodoxa Siríaca, nunca deve existir imagens de escultura. Há quem pergunte: e nas casas dos fiéis? Nesse caso, sobretudo na diáspora, permite-se, porém nunca recomenda-se.

Quanto à cruz, esta também não deve apresentar a figura do crucificado (figura à esquerda). Nas outras Igrejas o sentido teológico da cruz com a imagem de Cristo crucificado é, de fato, justificada. Contudo, nossa tradição vê a cruz como um símbolo da Ressurreição. Nós adoramos o Cristo, que derrotou a morte, através de sua gloriosa Ressurreição. Durante o Santo Qurbono (Divina Liturgia ou Santa Missa), contemplamos Cristo ressuscitado e vitorioso, e não morto na cruz. Por isso, a cruz deve ser simples e/ou, talvez, com alguns adornos nas bordas, mas nunca com a imagem do crucificado. 

Portanto, fica a dica de que é sempre importante, para nós ocidentais, fazer uma leitura visual das Igrejas no oriente e, mesmo que puramente por bom senso, ver o que pode ou não estar em nossas Igrejas. Nem demais e, se possível, nem de menos. A beleza de um templo educa, doutrina e nos leva a contemplar de forma mais sublime aquilo que é sagrado.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Santo Antônio, o grande (+ 356)

Conhecido também como Santo Antônio, o egípcio, Santo Antão do Deserto ou Santo Antônio, o Grande. No Brasil é conhecido também como Santo Antônio Abade. Foi um dos fundadores da vida monástica e é também chamado de Antônio do Egito.

Nasceu em Fayum, no Alto Egito, perto de Heracleopolis Magna cerca do ano 251. Tinha 20 anos quando seus pais faleceram e ele herdou os bens da família. Foi nesta época que, participando de uma liturgia, ouviu as palavras de Jesus: "Vai, vende tudo que tens, distribui o dinheiro aos pobres e terás um tesouro duradouro no céu; então, vem e segue-me!" (Mc 10, 21). Estas palavras atingem o jovem, que vende sua herança, coloca sua irmã em um convento e inicia uma vida de eremita. Primeiro ele se tranca em um castelo abandonado, não mantendo qualquer contato com o mundo. Ali, está ele só com Deus.

Ícone copta de Santo Antônio
Todavia, não é somente a Deus que ele encontra, pois encontra-se também consigo mesmo. É então que ele sente o tumulto do seu interior e é confrontado com sua própria sombra. As pessoas que passam diante do castelo ouvem uma luta barulhenta. Trata-se de uma luta demoníaca, a disputa com as forças do inconsciente, as quais se comportam como animais selvagens. Os demônios lançam-se sobre Antão com ruidosa gritaria, mas ele resiste. E quando as pessoas arrombam seu castelo, vem-lhes ao seu encontro um homem "iniciado em profundo mistério e apaixonado por Deus". É assim que ele é caracterizado por Santo Atanásio, que escreveu sua biografia, contando os detalhes de suas provações, sofrimentos e milagres: "Límpida era a constituição de sua alma. Ele nem se tornou carrancudo por meio do mau humor nem dava vazão à sua alegria, como também não precisou lutar com o riso e a timidez. Ao ver a multidão, não ficava perturbado e, quando tantas pessoas o saudavam, ele não se alegrava, mas ficava perfeitamente igual em si mesmo, como alguém que a razão governa e que se encontra em seu estado natural. O Senhor curou, por meio dele, muitos daqueles que estavam presentes ali e sofriam no corpo, e purificou outros tantos dos demônios. O Senhor dava a Antão uma graça através de sua palavras, de maneira que consolava muitos aflitos e reconciliava entre si muitos que estavam em conflito."

A partir daí, Antão retira-se mais profundamente para o deserto. Vai para uma montanha em Pispir (agora Deir el-Memum) e fica lá em uma vida solitária por 20 anos. Pessoas que o apoiavam, atiravam comida sobre a parede do forte, mantendo-o vivo, mas nunca viam sua face. Vagarosamente outros construíam uma comunidade em cavernas ou cabanas por perto. Eles pediam a Antão que saísse de sua reclusão para dirigir as suas preces e dar os seus conselhos e lições. Seu exemplo faz escola. Por volta do ano 300 é possível encontrar eremitas em todos os lugares no deserto. Muitos deles discípulos de Antão.

Em 305, Antão emergiu com grande vigor e saúde. Ele ficou com os eremitas por 5 anos, regulamentando o trabalho comunitário, as orações e as penitências. Depois foi para um deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho, em um local chamada Monte Kalzim. Um monastério, chamado Diem Mar Antonios, foi erigido neste local. Este período de reclusão não era tão restrito quanto os anteriores, pois Antão foi para Alexandria em 311 confortar os mártires das perseguições que estava acontecendo na época e voltou anos mais tarde para argumentar vigorosamente contra a heresia Ariana lado a lado com Santo Atanásio.

São Paulo, o Eremita e Santo Antônio
Antão ficou conhecido como um homem bom, generoso, corajoso, com bom senso, leal e sem nenhum excesso e ostentação. Era amigo de São Paulo de Tebas, chamado de o "eremita" que recebia meio pão por dia dos corvos. Diz a tradição que quando Antão foi visitá-lo, os corvos trouxeram um pão inteiro. O Imperador Constantino, o Grande (323-337), era um dos milhares que procuravam Antão para ensinamentos e inspirações.

Antão escreveu várias cartas e sermões para jovens eremitas. A vida de Santo Antão, descrita por Santo Atanásio, também salva muitos de seus sermões e discursos. Uma regra monástica datada daquela era é creditada como tendo os seus ideais, suas idéias e suas crenças. Morreu em 17 de janeiro de 356, com 105 anos e foi enterrado em uma cova não marcada conforme seu pedido, mas em 561 suas relíquias foram descobertas e foi trasladado para Alexandria, Constantinopla.